Luana Galdino

psicologia, fé & cotidiano

Luana Galdino
Oi, me chamo Luana e aqui você encontra o meu diário virtual sobre cotidiano, reflexões, aprendizados e experiências que a vida me deu. Escrevo para dividir um pouco das coisas que amo, me inspiram e que me fazem feliz. Esse blog é um lugar de respiro para quando você precisar de uma pausa ♡

Eu aceito o fato de que talvez não chegue a minha vez

Toda vez que eu me percebo sofrendo pelo amor romântico, eu falo que vou abandonar essa leve obsessão que carrego comigo. Eu sempre falo que não quero borboletas no estômago, mas eu não deixo de pensar que senti-las é viciante & todo o meu sistema nervoso entra em um estado dopaminérgico com elas. Na verdade, eu queria conseguir me amar da mesma forma que eu tento amar todos.

Esses dias eu li uma frase que alugou um triplex na minha cabeça: “ninguém nunca vai te amar do jeito que você quer, porque esse é o seu trabalho.” Essa é a minha obrigação, mas eu carrego tanta raiva, desgosto & culpa por mim mesma que é difícil substituir todos os meus sentimentos amargos por amor-próprio. É difícil me encarar no espelho e não querer socar aquela Luana que vejo refletida ali, não querer dizer palavras duras e confessar que de vez em quando a odeio com todas as minhas forças. 

Detesto a Luana que cresceu rodeada de livros de romance, de filmes sobre paixões e amores à primeira vista. Odeio a Luana que assistiu seus primeiros contos de fada sobre príncipes encantados e o feliz para sempre. Odeio a Luana que aprendeu a ser romântica com as histórias de amor que ouviu na adolescência esperando vivê-las na vida adulta. Odeio a Luana que ainda acredita no amor mesmo que já tenham quebrado o seu coração uma infinidade de vezes.

Homem sempre vai ser o meu ponto fraco, ou melhor, o amor. 

Mas eu preciso aceitar que talvez não chegue a minha vez & desde ontem estou engolindo o choro por conta disso. Eu vejo elas em seus vestidos de noivas, em cerimônias deslumbrantes, jogando o buquê, indo viver a lua de mel dos seus sonhos, seus maridos vestidos de terno e eu me pergunto: e se isso nunca acontecer comigo? Morar junto foi a pior burrada da minha vida, foi a pior escolha da minha história, porque no fundo eu só queria ser amada a ponto de alguém querer fazer essas coisas por mim.

Talvez eu nunca vista um vestido branco para alguém, talvez ninguém nunca me leve até o altar, e compre um par de passagens para uma semana de lua de mel em um chalé no meio do mato, talvez eu nunca ache alguém que queira escrever votos de casamento & casar na igreja ou se quer assinar um pedaço de papel só para oficializar uma união em um cartório. Talvez eu nunca seja amada desse jeito. 

Eu aceito conviver com o fato de que talvez não chegue a minha vez & que o amor romântico ficou nos livros, nas séries, nos filmes. Mas o que eu faço com o meu lado romântico? O que eu faço com o meu lado que quer dar cafuné, carinho, abraços & beijos demorados em um domingo à noite? Que deseja construir uma família para chamar de sua? Que deseja ser tocada com amor e não apenas desejada? O que eu faço com a minha vontade de amar alguém intensamente e ser o porto-seguro de alguém?

Todos os dias acordo com a certeza de que Deus não vai me dar isso, pelo menos não por agora. Eu sei que Deus não quer um relacionamento para a minha vida nos próximos meses. Esse não é o plano dele para mim agora. Estou começando a achar que quando se trata das minhas coisas, Ele não tem pressa nenhuma. Sabe porque eu sei disso? Porque eu não estou pronta. E qual a lógica de buscar algo tão intensamente e ao mesmo tempo não estar pronta para ter esse algo? Olha que ironia - ou burrice. 

Tem tanta coisa que eu preciso melhorar em mim mesma para conseguir sustentar uma relação, e tenho humildade o suficiente para dizer que elas não caberiam listadas nesse texto. Existe tanto a ser feito aqui dentro. E não acho que exista alguém disposto a esperar por mim, esperar eu sarar as minhas feridas, melhorar as minhas fraquezas, aperfeiçoar minhas fragilidades & evoluir as minhas imperfeições.

Se eu tivesse um único pedido e qualquer coisa que eu pedisse se tornasse uma realidade, eu pediria para viver a minha sexualidade de acordo com os princípios bíblicos. Não sou hipócrita de falar que consigo aplicar isso com totalidade na minha vida, porque eu não consigo, mas eu gostaria de viver uma relação onde o sexo fosse compreendido como parte de uma união que envolve compromisso, fidelidade e responsabilidade. Mas no fundo sabe porque eu gostaria de viver isso? Porque deve ser muito bom ser amada a ponto de alguém decidir que vale a pena esperar por você, esperar para te tocar, esperar para dormir comigo.

Eu não acho que tenho essa sorte & eu acho que eu não valho tanto assim não. 

Talvez parte do meu destino seja viver a minha solitude, seja voltar para casa depois de um plantão cansativo, ligar a netflix e passar as próximas horas assistindo alguma série do  hype. Talvez seja cozinhar as minhas refeições favoritas tomando um vinho enquanto assisto algum vídeo de treino do Rafael Brandão para me inspirar na academia. Eu sinceramente não acho que eu mereça muito mais do que isso. 

Ainda acredito no amor, tanto no amor romântico quanto no amor companheiro. Ainda tenho esperança de viver os dois em uma mesma relação, mas aceito conviver com a incerteza de que a minha vez não chegue & esse não seja o plano de Deus para mim. 

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