Luana Galdino

psicologia, fé & cotidiano

Luana Galdino
Oi, me chamo Luana e aqui você encontra o meu diário virtual sobre cotidiano, reflexões, aprendizados e experiências que a vida me deu. Escrevo para dividir um pouco das coisas que amo, me inspiram e que me fazem feliz. Esse blog é um lugar de respiro para quando você precisar de uma pausa ♡

Sentada na mesa dos que fazem você se sentir insuficiente

Depois de muitos meses me torturando e me chicoteando pelos meus fracassos, eu finalmente tive um ligeiro momento em que não me olhei como a fracassada que sempre enxergo em mim & sabe o que é mais engraçado? Essa ligeira sensação de certeza permaneceu comigo até hoje.

A maioria dos meus planos deram errado. Grande parte das coisas que planejei e coloquei no papel, as metas que rabisquei, os sonhos que abracei por tanto tempo, foram frustrados & esmagados por coisas além do meu controle, coisas que fugiam do alcance dos meus braços. Acho que finalmente consegui entender que os nossos fracassos também é a mão de Deus agindo. 

Não tenho sombra de dúvida de que os fracassos fazem parte do plano dele. Então como se derrota alguém que começou a enxergar os fracassos como parte do plano de Deus? 

Eu posso ter fracassado aos olhos humanos, segundo todos os critérios mundanos. Não tenho um carro de luxo para dirigir e quando preciso sair sou obrigada a pegar transporte público. Não tenho quase nada de investimento no banco que me permita viver de renda passiva. Não tenho roupas de marca e nem o último lançamento do Iphone. Não tomo café gourmet todos os meses e nem viajo para outros estados a cada bimestre. Não tenho uma empresa estruturada que leva o meu nome e um negócio que me dê rios de dinheiro. Não tenho bens móveis no meu nome. Não visto roupas chiques e nem um salto pontiagudo combinando com um blazer cor-de-rosa. Posso não ter esse tipo de sucesso, posso não ter o que ostentar.

Mas tem uma coisa que eu não falhei: eu não falhei em tratar outro ser humano bem & me orgulho o suficiente disso. Eu não falhei em respeitar os que estão abaixo de mim… Nisso, pode ter certeza que eu não falhei. Não falhei em ser gentil com quem tem menos do que eu. Não fracassei em ser um ser humano decente. Prefiro todos os fracassos materiais possíveis do que ter permitido o mundo corromper a minha humanidade.

A vida acadêmica - ou Deus - me levou a passar todos os estágios da graduação na área judiciária. Estagiei em uma central de penas alternativas, na secretaria de administração penitenciária, em um centro hospitalar do sistema penitenciário. Ou seja, eu tive a oportunidade de conversar com todo tipo de gente, a estar em contato com pessoas, sendo bem franca, não tão boas assim. Ouvi histórias pesadas, já escutei relatos sobre tráfico, drogas, furto, homicídios, agressões, algumas com culpa e arrependimento, outras com ausência de qualquer emocionalidade. Já me sentei com pessoas destruídas na minha frente, pessoas tão afundadas no crime que não conseguiam acreditar em segunda chance ou que a vida poderia ser diferente. E sabe o que todos tinham em comum?

Ninguém nunca me tratou mal ali. Sei que o contexto e o ambiente importam, e que exerce uma grande influência, mas nunca fui desrespeitada por nenhum deles. Eram de uma formalidade assustadora & me pegavam de surpresa pela educação e bons modos, apesar de uma ausência completa de qualquer ensino formal. E eu me pergunto: como pode pessoas em condições tão insalubres, vivendo uma vida tão inadequada, equivocada & perdida terem mais respeito por uma pessoa desconhecida do que alguém que você vê todo dia e te conhece?

Eu não sei se você já teve a oportunidade de se decepcionar com alguém que não fosse dentro de um relacionamento amoroso, mas quando acontece é de uma forma inesperada e cabulosa. Dizem que só conhecemos alguém de verdade após a convivência, e isso é verdade. Ninguém consegue vestir um personagem por tanto tempo sem um dia deixar a máscara cair. E deixaram a máscara finalmente cair. Sabe o que é pior? É que te alertaram e você duvidou. “Olha, cuidado, fulano é assim, é assado, desse jeito, ciclano não é flor que se cheire, fulano é ruim”. Mas você quis colocar a mão no fogo.

Você escolheu colocar a mão no fogo e o que aconteceu? Você se queimou. Eu me queimei. No começo, eu senti raiva, muita raiva. Depois, eu senti dó & hoje sinto pena. Olho para a pessoa e só consigo pensar: “então fracassar é isso.” Fracassar é ter construído um império e ver ele ruindo pela própria incompetência. Fracassar é não dar valor a quem está do seu lado te ajudando a lidar com a porra dos seus problemas, desculpa o palavrão. Fracassar é diminuir outra alma humana porque você está tão cega que não consegue ver as maravilhas que Deus colocou no seu caminho. Fracassar é passar a semana inteira reclamando de tudo e todos enquanto você é vista como um fardo para quem está ao redor. Fracassar é ser um peso a mais na vida das pessoas. E graças a Deus, eu não sou.

Olhar para uma pessoa que aparentemente tem tudo e pensar "então fracassar é isso". É ser desse jeito. É ser uma pessoa tão ingrata que precisa diminuir todo mundo. Deus odeia ingratidão.

Eu não entendo de propósito. Ainda estou construindo o meu, ainda estou descobrindo quem sou, o que não sou. Ainda estou me deparando com outras versões de mim, ainda estou reconhecendo as minhas sombras. Ainda estou em processo, mas o quão triste deve ser passar pela vida de alguém e só deixar coisas ruins ali? O quão derrotado você deve ser para fazer outro ser humano se sentir insuficiente o tempo todo?

O quão insatisfeito deve ser a vida de alguém que te destrata só para se sentir superior & melhor? 

Imagine ser a pessoa que faz os outros duvidarem da sua própria capacidade? Imagine ser tão ruim e cruel a ponto de não reconhecer o que as pessoas estão fazendo de certo & bom ao redor? Imagine ter os olhos tão cinzas e encardidos a ponto de encontrar apenas motivos para lamentar, esbravejar & se queixar? Não existe nada mais desumano do que ser a responsável por fazer alguém ter crises de ansiedade, chorar e se angustiar. Se eu fosse assim, eu teria nojo de olhar para mim mesma. Eu teria repulsa de conviver comigo mesma. Eu teria repúdio de cada pedra que construí. 

O propósito de algumas pessoas é nos mostrar o que não ser. E a minha lição foi aprendida. Algumas pessoas são o exemplo do que eu jamais seria na minha vida, são uma amostra de como nunca tratar outro ser humano. Não importa quantas afrontas, humilhações ou insultos venham, eu venci. Eu já venci por não ser igual, e por saber que eu preferiria abrir mão de tudo do que ser igual. 

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