Acho que depois da maioria dos meus planos terem falhado miseravelmente (claro que estou sendo sarcástica rsrs), muitas outras coisas deram certo, eu tenho pensado muito sobre o papel que os valores ocupam na minha vida. Desde que fui aprovada no concurso, eu entrei em uma espécie de vazio ocupacional, porque um dos maiores objetivos que defini para a minha vida foi alcançado e agora estou em processo de espera.
Os últimos meses não foram perfeitos; tiveram os seus altos e baixos, momentos desafiadores e vontade de simplesmente sumir e voltar apenas em janeiro de 2027, e isso me leva a refletir em um ponto importante defendido por mim e pela Terapia de Aceitação e Compromisso: a busca da felicidade não pode ser vista como ausência de problemas e nem compreendida pela ausência de sofrimento.
Acho que só Deus sabe como foi atravessar alguns desertos nos últimos meses, mas eu finalmente consegui compreender que o sofrimento é intrínseco à condição humana, mesmo quando fazemos de tudo para cultivamos escolhas assertivas e alinhadas, em algum momento sofrer será inevitável, seja pelo envelhecimento ou pela perda daqueles de quem mais amamos. A dor é uma variável presente.
Então como o sofrimento não pode ser eliminado, o objetivo não é garantir que a gente não sofra, não nos decepcionamos ou nos machucarmos, mas sim garantir que a vida seja, pelo menos, significativa e vivida com propósito. E parte da construção de uma vida com sentido passa por entendermos os nossos valores.
O que são valores?
Valores são escolhas deliberadas e intencionais de como queremos viver. Ser consciente dos seus valores significa ter uma direção contínua de como ser e agir, do que priorizar e uma orientação para os seus comportamentos & relacionamentos. É como ter uma bússola que aponta uma direção, que você vai buscar a vida inteira.
Porque diferente dos objetivos, valores não tem um marco final, não existe aquele momento em que você diz: “ufa, eu finalmente cheguei”. Objetivos tem um fim, eles podem ser alcançados e concluídos realizando uma sequência de tarefas específicas ao longo de um intervalo. Objetivos são finitos. Valores são eternos (desde que você os mude, é claro).
Valores também são diferentes de crenças. Crenças são uma “bagagem cognitiva” que aprendemos a partir das experiências que vivemos na infância, que foram moldando e construindo a nossa visão de mundo e as interpretações automáticas que fazemos de tudo a nossa volta; nossas crenças são as lentes pelas quais vemos o mundo, e essa construção muitas vezes se deu de maneira inconsciente.
Valores também são diferentes de sucesso. Sucesso frequentemente vem de algo que uma sociedade padronizou e definiu como sucesso, por exemplo, dinheiro, cargo, fama. Ter uma vida com aquilo que a sociedade definiu como sucesso é diferente de ter uma vida significativa. Quantas pessoas buscam e perseguem o sucesso padronizado pela sociedade, e mesmo assim se sentem vazias e desconectadas de si mesmas? Uma vida significativa representa o valor pessoal que o indivíduo atribui às suas conquistas.
Resumindo: metas & objetivos é o seu destino final, e valor é o como você caminha até lá, é o modo como você escolhe caminhar até lá. Quando temos consciência dos nossos valores e organizamos a nossa vida ao redor deles, isso gera uma sensação de integridade e paz, mesmo em períodos difíceis.
Viver bem não significa nunca mais sentir tristeza, raiva, desânimo ou qualquer sinal de sofrimento, mas sim viver uma vida que possua direção e coerência entre o que você sente, acredita e o que faz.
Você sabe o que acontece quando vivemos uma incoerência com os nossos valores? Começamos a viver no piloto automático: tomamos decisões por medo, pressão social, por costume ou simplesmente cansaço. Não paramos para pensar no que realmente valorizamos, no que de fato é importante para nós. Ou reproduzimos a nossa vida de acordo com os planos traçados pela família, pela cultura, pelos traumas passados, resultando em uma vida que parece "boa por fora", mas vazia por dentro. Os nossos valores são a parte mais autêntica de quem somos.
Quando não temos clareza dos nossos valores, todo o esforço que fazemos pode ser sentido como um peso, ao invés de um “sacrifício com sentido”.
Tem uma metáfora da Terapia de Aceitação e Compromisso que eu amo muito: a metáfora do ônibus.
Imagine que a sua vida é como dirigir um ônibus, seu objetivo é se manter dirigindo em direção aos seus valores, porém ao longo da viagem, entram alguns passageiros barulhentos (pensamentos negativos, sentimentos desagradáveis, sofrimentos, perdas). E você como motorista frequentemente para de dirigir (ou seja, para de viver de acordo com os seus valores) para tentar expulsar os passageiros indesejados. Contudo, os passageiros incômodos não saem, porque o sofrimento é intrínseco a nossa natureza, ele não saí.
Uma vida com significado e ação comprometida consiste em continuar dirigindo em direção aos seus valores, independentemente da presença desses passageiros. Imagine você parar toda vez o ônibus? É exatamente o que fazemos na nossa vida.
E como descobrir os seus valores? Não existe uma resposta pronta. Não existe um roteiro e muitas vezes não é algo que você vai descobrir de um dia para o outro, mas existem exercícios que podem te ajudar a descobrir.
Um deles é o exercício do funeral. Imagine o seu próprio funeral, sei que pensar na morte é um tabu, mas tomar consciência da nossa finitude nos ajuda a separar o que é verdadeiramente importante das preocupações superficiais. Diante do seu funeral, o que você gostaria que as pessoas presentes ali falassem de você? Como você gostaria que elas se lembrassem de quem você foi? “Ahh fulano foi muito dedicado, companheiro, leal, determinado, gentil, parceiro, etc.“
Perguntas para responder:
- O que mais me machuca ou me indigna no mundo e nas pessoas? (Frequentemente revela um valor ferido).
- O que eu admiro profundamente nos outros?
- Em quais momentos da vida senti maior orgulho de mim mesmo?
- O que eu não abro mão de jeito nenhum?
Às vezes, podemos declarar os nossos valores por meio do que dizemos ou falamos, por exemplo: “família é minha prioridade, família é o meu valor”, porém as açõe
s e os comportamentos vividos no dia a dia demonstram algo totalmente diferente, por exemplo, estar sempre no celular em detrimento da presença familiar.” Será que aquilo que dizemos valorizar é realmente o que estamos vivendo na prática?
E a pergunta mais importante de todas para mim: se alguém observasse a sua vida por uma semana, o que essa pessoa diria sobre o que você valoriza? Quais valores iriam APARECER pelo jeito que você vive, trata as pessoas, escolhe, organiza sua rotina, seus hábitos?
Para esse post não ficar muito longo, eu criei um material com 48 exemplos para você reconhecer e refletir nos seus valores e naquilo que verdadeiramente importa na sua vida. Basta clicar no banner abaixo para baixar o seu material.


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