Eu comecei outros rascunhos que não postei. Tem sido difícil sentar para escrever uma ou duas horas seguidas, e o máximo que dá é recortar a escrita em pequenos momentos diários, entre pausas e respiros da rotina, e entre os dias que não escrevo, parece que uma nova tempestade surge e um temporal acontece fora e dentro de mim.
A vida se tornou um caos. Um caos que parece que não vou dar conta de sustentar e que nunca vai acabar, embora eu saiba que nada resiste ao bom e velho tempo. Sei que as coisas bagunçadas de hoje irão encontrar o seu caminho de ordem amanhã, mas infelizmente não no meu tempo. O tempo corroí tudo, até mesmo as decepções e sofrimentos que vivenciamos durante a travessia pelo deserto.
Uma grande novidade é que fui aprovada no concurso da Polícia Cívil do Espírito Santo, uma grande conquista, para quem nunca havia estudado para um concurso público na vida e se dedicou um ano inteiro, abrindo mão de muitas outras coisas para priorizar esse objetivo, e em meio a inúmeros outras adversidades e incômodos que foram se acumulando no meio da caminhada.
Já fiz o TAF e também fui aprovada no teste físico.
Agora tenho uma lista aparentemente interminável de exames e consultas médicas que o concurso público exige. Essa etapa está tirando muito da minha paz de espírito e tranquilidade. Acordar cedo para realizar os exames acaba não me dando tempo para minhas atividades de bem-estar e intencionalidade. Infelizmente precisei deixar de lado alguns hábitos que sustentavam meu bom humor e minha leveza, como academia, meditação e devocional, e depois de algumas semanas sem praticá-los, a volta está sendo penosa e sofrida.
Todo meu ciclo de horários precisou ser adaptado para conseguir fazer todos os exames ao longo das últimas semanas. Tem sido dias de muita ansiedade & preocupação, e eu não sei dizer se a inquietação é causada pelos gastos financeiros por conta da quantidade de exames, se é o medo de não dar tempo de realizar tudo até o prazo final ou se é o fato dos meus hábitos mais significativos estarem em segundo plano.
Se o gênio da lâmpada aparecesse na minha frente e me concedesse um pedido, sem pensar duas vezes, eu pediria para pular até dia 31 de dezembro e estar de braços abertos recebendo um novo ano, mais 365 páginas em branco, mais um recomeço e mais próxima estaria de finalizar esse grande objetivo que começou lá em 2025.
Mas enquanto esse ano passa em pegadas de tartaruga, vou fazendo o que posso: um dia de cada vez. Como dizem por aí, se fossem dois, eu não daria conta. Infelizmente minha saúde não tem permitido que as coisas fluam com leveza: peguei um resfriado, meu corpo está absurdamente doloroso depois de voltar a academia e possivelmente estou com uma inflamação que está me fazendo tomar dipirona a cada 6 horas.
As coisas não estão mil flores e isso tem impactado no meu estresse; pequenas coisas tem se tornado gigantescas e a insatisfação vem tomando conta. A sensação é que meu combustível está no negativo e ainda estou devendo um pouco de energia. Os compromissos da vida adulta tem me consumido, mas pelo menos as coisas têm feito um pouco mais de sentido desde que decidi - não sei se por escolha própria ou pelas circunstâncias externas - largar de vez a psicologia.
Uma outra coisa, faz um pouco mais de um mês que desativei o Instagram. Os primeiros dias foram insuportáveis. Hoje não sinto falta de absolutamente nada lá. Não acho que exista algo interessante o bastante na minha vida que mereça uma conta no Instagram. Adoro a liberdade de não ter gatilhos me fazendo ceder a comparação e a autocobrança. Tem sido nova a experiência de não me expor e nem dividir minhas vivências em tempo real, mas tem sido bom ter uma vida - pela primeira vez - comum.
Não sei definir em uma única palavra o que tem sido esse quase primeiro semestre de 2026, mas tenho medo que daqui até dezembro essa palavra se torne solidão. Essa palavra tem a ver com o que venho sentindo nas últimas semanas: uma mistura de solidão, afastamento e exílio. Tenho me sentido sozinha atravessando esse deserto. A época mais caótica e conturbada da minha vida está sendo atravessada com esse sabor amargo de solidão impregnado em mim.
Mas isso tem me ensinado uma coisa importante: nunca mais construir meu conforto e segurança emocional em coisas que podem ser tiradas de mim muito facilmente. Hoje eu percebi que construí coisas muito significativas e importantes sobre areia. Construí meus castelos sob coisas muito frágeis.
E isso me ensinou a edificar - de agora em diante - meus castelos sobre coisas que nunca e jamais poderão ser arrancadas de mim, mesmo que isso passe a significar andar por aí com a desconfiança gritando no peito ou a solidão morando em mim.
Agora meu maior foco é voltar a reconstruir minha rotina com bons hábitos e atividades que sempre me fizeram bem: voltar ao estudo diário, retornar a academia e meditar. A volta é sempre difícil, mas não impossível. Esse post foi mais um resumo de como estão as coisas do lado de cá e que nem sempre tudo se revolve em um piscar de olhos.
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