Luana Galdino

psicologia, fé & cotidiano

Luana Galdino
Oi, me chamo Luana e aqui você encontra o meu diário virtual sobre cotidiano, reflexões, aprendizados e experiências que a vida me deu. Escrevo para dividir um pouco das coisas que amo, me inspiram e que me fazem feliz. Esse blog é um lugar de respiro para quando você precisar de uma pausa ♡

Das coisas que não pude falar porque não tinha ninguém para ouvir

Faz quase um mês que comprei o fichário que eu tanto queria e ainda não tive sequer tempo para usá-lo da maneira que eu havia planejado. Passei todos os dias dessa última semana me sentindo insuficiente e incapaz, em todos os aspectos possíveis da minha vida, aquela velha sensação de que de novo não vou conseguir ser constante ou novamente vou abandonar as coisas pela metade e colecionar mais um punhado de fracassos. Eu sou recordista mundial de acumular tentativas fracassadas em tudo o que já me empenhei em fazer. Essa é a cruz que preciso carregar pelo resto da minha vida. 

Fiquei me perguntando o que tanto me motiva a continuar firme na academia, e acho que bastou, entre uma pausa e outra, olhar no espelho e encarar a pessoa que eu mais odeio, que todo mundo diz que eu deveria amar: eu mesma. Essa raiva que sinto de mim mesma tem sido um ótimo combustível para continuar de pé, um ódio resistente o bastante para me fazer estar em movimento por mais um dia. Detesto a maneira que escrevi a minha história; não detesto as coisas que me aconteceram, mas acho que antipatizo com as minhas reações impensadas e imaturas. Em breve, eu preciso transformar esse amontoado de vivências amargas em uma autobiografia, quem sabe ano que vem. 

Estou aprendendo a quebrar esse ciclo de querer agradar as pessoas ao meu redor. Infelizmente se tornou um hábito desenhar esse papel de perfeição que visto como armadura para não verem a Luana que eu sou de verdade: imperfeita. Passei a vida toda querendo acertar para que outras pessoas pudessem enxergar as partes boas de mim, ao invés das obscuras e feias.

De vez em quando, queria poder descobrir qual o gosto da liberdade, uma liberdade completa; o sabor de não carregar essa sensação de que estou sempre devendo algo às pessoas, uma explicação de tudo, um pretexto ou uma justificativa para elas. Não sei se o dinheiro poderia me proporcionar isso, ou a solidão ou a privacidade, ou a mistura dos três. Ainda quero experimentar esse compilado por mim mesma.

Na maior parte do tempo, me sinto perdida. A única certeza que tenho é a do concurso público, a única coisa que hoje nunca perde o sentido, o chão ou a direção. Esse plano é sempre um mar calmo. É uma constante e uma linha reta no meu desejo de pertencer. Todo o resto é incerto e nebuloso. Nunca sei de fato o que fazer, quando fazer ou porquê fazer. Não sei se a psicologia é uma boa escolha, e se for, será que vale a pena clinicar, ou será que a psicologia jurídica poderia trazer bons frutos. Sinceramente, eu carrego mais perguntas do que respostas, mais pontos de interrogação do que de fato uma solução.

Além disso, tenho vivido o paradoxo do querer estar em uma caverna, escondida, em low profile, em modo furtivo, sem querer usar o Instagram para absolutamente nada que envolva dividir a minha vida pessoal, mas ao mesmo tempo, eu quero ser vista, não por alguém específico, mas sinto o desejo de partilhar coisas que na minha cabeça merecem um recorte no tempo, um espaço além da minha memória, mas não sei ao certo com qual intenção ou propósito. Parece que se eu não estiver mostrando, de alguma forma, não vale a pena viver aquilo.

Mas a privacidade tem sido boa. Não ter a obrigação de mostrar nada tem sido agradável. Ou sou eu que não sei como equilibrar a exposição com a minha vida íntima. Acho que estou cansada de tentar encontrar um nicho em meio a criação de conteúdo no perfil profissional, e isso também influencia a minha relação caótica com o digital. Falar sobre trabalho e burnout? Para cristãos que fogem da terapia? Sobre espiritualidade e fé? Sobre autoconhecimento? Isso é outra coisa que me enlouquece. 

Se eu for atrás do dinheiro, tenho medo de que ele se transforme em uma espécie de deus para mim e ocupe todo o meu coração. Tenho medo de colocar essa busca acima de tudo, até do meu bem-estar e felicidade. Hoje, levo comigo a impressão de que dinheiro é a única resposta para tratar o meu mau-humor, meus fracassos, minhas instabilidades emocionais e todo o resto que não está do jeito que eu quero, porém ninguém precisa me dizer que estou errada. O dinheiro não é tudo, mas é quase tudo.

Estou pensando em cortar o meu cabelo, ainda mais. Deixá-lo em um estilo que eu amo e que me encanta, mas que nunca tive coragem de fazer. No fundo, eu acho o meu cabelo ridículo; hoje em dia ele vive preso e raramente me dou espaço para soltá-lo. É uma ideia que ainda preciso amadurecer comigo mesma. 

Ontem foi uma noite especial: assisti uma luta ao vivo, tipo um ufc e eu nunca me diverti tanto. Foi uma das melhores experiências de 2026. Não pensei que iria gostar tanto de assistir isso, mas foi incrível & valeu a pena cada minuto. Estou me perguntando como existem pessoas que podem apanhar tanto e continuar de pé. Como tem gente que consegue aguentar uma porrada pesada, socos, chutes e pontapés e continuar ali? Quero saber qual o segredo dessas pessoas, que sentindo cada músculo dolorido, cada fibra se esgotando e cada colisão no corpo, permanecem?

Me lembrei de um livro de psicologia que preciso e quero reler: garra. Não lembro nada dos ensinamentos e aprendizados dessa leitura, mas eu acho que começar aprendendo um pouco mais sobre garra pode ser um bom recomeço.

Sabe, eu caio por muito menos. Eu desisto por muito menos. Eu sinto vontade de jogar a toalha por muito menos. Não sou resiliente. Sou fraca. Eu e minha psicóloga chegamos ao consenso que sou uma sobrevivente em meio a tudo o que me aconteceu. E talvez eu seja mesmo, mas a sobrevivência me custou um pouco do meu brilho, da minha felicidade e da minha segurança emocional. Eu fui amolecendo com o tempo.

Se eu pudesse escolher um novo traço de personalidade seria a marra e a braveza, no lugar da falsa mansidão que aparento ter. Tenho um olhar de admiração com quem é marrento, quem anda com o peito erguido e a coluna reta, tem o olhar firme e a postura obstinada. Talvez eu consiga me tornar essa pessoa impassível com o tempo, a prática e o fingimento. É o que dizem: finja até ser. Não sei se é quem eu realmente sou em essência, ou se é um desejo inconsciente ser assim.

Essa semana consegui assistir três vídeos do Youtube, e essa foi a grande vitória dos últimos dias. Umas das minhas forças de caráter é o amor ao aprendizado, e sinto falta de dedicar mais tempo ao estudo. Se eu tivesse direito a três desejos, um deles seria viver do estudo, de estar sempre aprendendo, lendo, pesquisando & quem sabe compartilhando conhecimento com quem também ama isso.

Uma coisa que a vida tem me ensinado: a construir meus castelos sobre terra firme e não sobre areia. Não colocar minha segurança em coisas que podem facilmente serem tiradas de mim. Não depositar minha estabilidade emocional em nada que seja externo, pessoas ou coisas. Parece uma missão impossível, mas vai ser um tijolo por dia, um degrau por vez. 

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