Ninguém em sã consciência vai dizer que gosta da experiência de atravessar crises e desafios ao longo da vida. Atravessar nossos desertos é doloroso, exaustivo e muitas vezes sufocante. Esses momentos são capazes - muito facilmente - de nos tirar do eixo, nos fazendo entrar em contato com a incerteza, a dúvida e o medo.
Crises são mudanças inesperadas e intensas em coisas que tínhamos como certas e alinhadas. Acontecem quando perdemos de vista o nosso lugar comum e confortável, quando somos estremecidos por coisas externas e alheias à nossa vontade. Inclusive, passei por uma e ainda estou me recuperando dela. Quando criamos nosso planejamento ou idealizamos um futuro, quando fazemos planos, temos tudo isso como infalível e certo, até que somos convidados ao recomeço.
A nossa mente tem uma tendência inegável de rotular as experiências como boas ou ruins; é quase automático rotular algo como positivo ou negativo. Mas tudo o que foge dos nossos lugares comuns é visto como algo desfavorável e inconveniente. Hoje eu li uma frase que dizia: “apenas o tempo pode nos dizer a qualidade das nossas experiências”. Não antes e nem enquanto as vivemos, só no depois que temos consciência do que verdadeiramente aquela experiência nos proporcionou.
As crises nos revelam coisas importantes sobre nós mesmos: nosso nível de consciência, nossos recursos internos, nosso nível de apego e estagnação, nossas tentativas frustradas de controle. Diante delas, somos convidados a refazer e recomeçar em algum aspecto da nossa vida, muitas vezes algo que fomos ignorando e jogando para debaixo do tapete. As crises não vem para nos destruir, mas para nos revelar a mudança que precisamos vivenciar, a mudança de rota que precisamos fazer ou a confiança em Deus que precisamos cultivar.
Os desertos sempre me revelam o quanto eu sou “a controladora” e como acho insuportável a simples ideia dos planos escritos por mim não acontecerem da maneira que eu planejei, então lembro a mim mesma o quanto existe de prepotência nisso e aceito o fato da vida ser um mistério compreendido unicamente por Deus. Só de pensar em algo saindo dos trilhos, a minha mente já rotula a experiência como “o fim do mundo” e o começo de uma “nova catástrofe mundial”. E ainda estou no processo de lidar com os altos e baixos da vida adulta, principalmente os que envolvem a rotina e saúde.
Se você tiver um pezinho ou quem sabe o corpo todo nesse modo de “controle excessivo”, pode ser que diante de crises e desafios seja muito fácil se perder da esperança e sentir tudo desmoronando. Algumas vezes eu a perdi, não vou mentir, e um buraco negro me engoliu por inteiro, mas tenho aprendido dia após dia a tornar a minha esperança intocável. Não importa o quanto o dia seja ruim, a semana tenha sido péssima ou a vida se torne obscura por um instante, tento me lembrar que o amanhã pode ser melhor. As coisas sempre poderão ser diferentes amanhã.
Aqui no blog tem um post onde explico o que é otimismo e como aprender a ter um olhar otimista diante da vida. Você pode conferir o post clicando aqui.
A esperança é o que nos permite continuar caminhando, é o que nos faz permanecer em movimento, mesmo que haja tantas coisas incertas em relação ao futuro. Manter a sua esperança ativa em momentos de crise não significa ser alguém ingênuo que ignora as dificuldades ou finge ver um mundo cor de rosa que não existe, mas é uma postura de ação, de acreditar que existem caminhos melhores e diferentes e buscar ativamente construir esses caminhos.
Seu poder de acreditar e ter fé é a base de tudo o que você faz.
1. Pratique a neutralidade. Não diga que a experiência é boa ou ruim, positiva ou negativa. Antes de tudo, é uma experiência. Não vemos o final, vemos apenas um trecho e um fragmento de uma história que Deus já escreveu por completo. Muitas vezes algo que rotulamos como ruim agora é o começo de uma nova história, de uma mudança de mentalidade e de novos comportamentos. Algo que você rotulou como negativo pode te levar a viver experiências extraordinárias lá na frente. Ficar rotulando só te deixará mais cansada e exausta.
2. Observe o desafio. Se algum deserto chegou até você, é porque você está pronto para atravessá-lo. Se algo chegou até você, é porque você consegue sustentá-lo com os recursos, ferramentas e conhecimento que você já tem hoje. O que está sendo revelado sobre você? Os desafios são espelhos onde podemos enxergar quem nós somos, quem estamos nos transformando e o nível de fé e confiança que carregamos. Durante as crises, a verdade se revela. Como dizem: a prática é o critério da verdade.
3. Se fortaleça. Se for necessário, descanse. Se for preciso, tire mais tempo para se alimentar com aquilo que nutre a sua alma. Leia mais a bíblia. Converse com Deus. Tenha mais momentos de adoração. Aumente a frequência da terapia. Tire mais tempo off-line. Precisamos diariamente alimentar a nossa força diante de momentos desafiadores.
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5. Use a escrita como válvula de escape. Nem sempre as nossas lutas e desertos serão vividos com alguém do lado. Muitas vezes, nossas batalhas serão silenciosas e sem espectadores, sem um palco ou as pessoas ao redor simplesmente não conseguem entender o que aquele deserto significa para nós, mas se lembre todo dia que você é a sua melhor companhia; você passará o resto da vida com você mesmo, e isso quer dizer que você pode usar a escrita para se acolher e desabafar, quando o mundo não quiser - ou não puder - te ouvir.
Durante o almoço estava assistindo um vídeo no Youtube onde a moça disse que Deus usa as situações e circunstâncias para falar conosco, às vezes é um chamado de volta a Ele, outras vezes é um convite para sermos mais gratos, outras é algum padrão que precisamos desconstruir. Todo sofrimento acontece com a permissão dele. Independente de tudo, Aquele que sabe de tudo não nos abandona.


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